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Poesia na alfabetização

Poesia na alfabetização

Por Clubinho Literario      18/03/2017 14:56:37    

Voltando dez anos no tempo, reencontro-me na mesa da sala em companhia de meu segundo filho, o primeiro a ser alfabetizado em casa. Naquela altura, ainda cheia de inseguranças, perguntava-me por onde prosseguir depois de já haver fincado os alicerces da alfabetização: ele já estava lendo e escrevendo.

"Ou isto ou aquilo", de Cecília Meireles já era nosso velho conhecido. "A arca de Noé", de Vinícius de Morais já tinha percorrido um trecho do caminho junto conosco. Como, agora, ajudar meu menino a dar um passo além: adquirir fluência, pesquisar no dicionário, treinar caligrafia, aprimorar a memorização, pronunciar corretamente as palavras e recitar corretamente as frases durante a leitura? E mais: como fazer isso sem cair na chatice dos exercícios aleatórios, de livros didáticos sem contexto?

Eis que surge o Flautista

Foi então que, do nosso não tão vasto acervo de obras, saquei "O flautista de manto malhado em Hamelin", de Robert Browning. Nele encontrei o que precisava para cativar a atenção do meu filho sem precisar baixar a qualidade de nossas leituras.

Foi um risco, sem dúvida, pois eu estava inventando minha própria receita, abrindo um caminho a partir de algumas pistas que tinha e de algumas intuições.

Começada a preparação do material, uma grata surpresa: o poema de Browning não tinha como cenário uma cidade real da Alemanha simplesmente, mas inspirava-se num episódio que marcou a história da cidade de fato. E indo mais longe ainda, descobri que o êxodo das crianças cantado naqueles versos tinha uma possível razão histórica: a pouquíssimo conhecida "Cruzada das crianças".

Pronto. Minha intuição havia me conduzido por um caminho melhor ainda do que eu imaginava.

Mais do que português: poesia, geografia, história e moral

Sem que houvesse planejado, o poema do autor inglês, redigido em homenagem a um menino doente, nos permitiu não somente adquirir todas as habilidades de que precisávamos, mas também conhecer um pouquinho da Alemanha e de sua geografia, da história da cruzada mais incomum de que se tem notícia, e todas as peculiaridades citadas ao longo do poema, desde os materiais de que eram feitas as roupas dos governantes da cidade, passando pelos vinhos que eles bebiam, chegando até os lugares e funções mencionadas pelo flautista, entre muitas outras coisas.

Sem falar no maravilhoso (e antigo) complemento que coroou nossos estudos: a adaptação que a BBC fez e que além de nos entreter, aguçou nossos ouvidos para as diferenças entre a tradução que usáramos e a dublagem em português.

Assim, "O flautista de manto malhado em Hamelin" tornou-se sucesso absoluto na alfabetização de Benjamin, servindo-lhe não somente como meio para consolidar sua alfabetização, mas também como um primeiro modelo, bastante imperfeito, mas suficientemente mais eficaz que aqueles oferecidos pelos livros didáticos, de pesquisa.